quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

 Lapid(ação)


Não quero que meus sonhos sejam destruídos

Vou de leve aparecer por aqui e acolá

As vezes triste outrora contente, não sigo normas tão menos ideais

Sou assim livre do que os outros acreditam, sou de fato o avesso do verso

Que de tão reverso se encontrou subversivo

Aquilo que digo não é matéria para oposição, sou liberta e apolítica.


Pelos meus sonhos e versos, vou seguindo em silêncio

A amarga canção da vida que ninguém canta

Mas que a muitos des(canta)

Sou a lira reversa de todas as reservas poéticas. 

domingo, 3 de março de 2024

Maturi(idade)

Em outra época 

se guardavam as quitandas



A meninice apenas uma prova

Guardavam de tudo




Segredos, vestidos, cartas

Temperos, pimenta, queijo

Livros, brinquedos e mentiras...



Foi-se o tempo do Goiás Velho

Chegou a novidade!

O governo da bonança


Agora é nova era

Mas ficaram a casa, a meninada, o rio



As cortinas, as faixadas, as pedras e o silêncio

Do que foi um dia a memória do povo goiano.



Apreci(ares)


Trago outros saberes

Que ainda estão dentro da casa

Relato memórias e desafio o tempo

Aqui estão os versos

Aqui estão os meus doces



Delicada morada, só aos beijos do rio

Cheia de encantos

Entrega das pedras que dormem por aqui

Sou figura

Sou robusta

Por horas visita de Cora

Por vias visita de Aninha 



sábado, 14 de outubro de 2023

Vali(dade)

 


Não quero retomar o tempo, queria mesmo ser feliz!

Ahh por um instante ter de volta a alegria do dia

A contemplação da noite...

Foi-se, de fato fora tudo embora, até a minha paz se foi. 

Hoje eu não tenho tempo, como palavras e outras devoro em lágrimas, ficam no esquecimento.

Por aqui passei uns minutos para constatar:

Felicidade tem prazo de validade. E minha já não vale mais.

Perdeu a força, as raízes e já não tem sementes.

Sim, a felicidade é uma árvore que floresce para alguns mas apodrece sem frutos para outros.

Portanto aproveite a sua

Vali(idade) enquanto felici(idade).


terça-feira, 26 de julho de 2022

Maria Grampinho

Andarilha das noites 

Menina das pedras 

Boneca de pano 







Seu saco de sonhos

A liberdade é seu manto

Não se atreva a falar com ela

A caranca aparece

Carrega criança desobediente

Repleto de espanto

Retoma seu leito, o seu curso de histórias

Maria cheia grampos achados na rua

Maria cheia liras e embiras.




Pala(dares)

Dar-te-ei os melhores sabores

Advindos do tempo e de outras terras

Muitas mãos no ofício 





Afazeres a mais 

Nos doces e salgados

Paladar e palavras

Receitas antigas

Conserva e cozinha




Tempero e apreço

Tudo em sua hora

Se passar no forno queima

Se passar do ponto não cristaliza 

Doceira e boleira para todos os dias 




Empadão goiano é mesa farta para todos os anos.





terça-feira, 12 de julho de 2022

Cidade de Goiás

 A cidade de tantas histórias...

Qual delas é a mais a bela?

A que gente trás?

Ou a que gente leva?


        


Certamente cada palavra completa a outra, cada caso completa o outro... Assim como suas pedras que também foram marcadas por histórias e História, uma completa a outra.





Goiás, minha senhora Goiás...

Essa moça de tantos suspiros.

Essa mulher de tantas voltas.




quarta-feira, 29 de junho de 2022

Pensa(mente)




Eu fiz uma leva de flores para os céus.

Eu queria ver novos rumos e novas ramas

Mas eu não vi, eu fiquei só na estrada

Eu fiquei no pó das sombras e das sobras

Já não tenho serventia a não ser servir

Faz um bom tempo que sorrir é um luxo 

A pesada mente na ocorrência de uma saída

Uma resposta do destino

Um pensamento bom para a rotina

Uma mente pensa

Ou pensa(mente)

A outrora de tudo que já não posso viver

A outra hora que tudo será um pensamento.






quarta-feira, 22 de junho de 2022

Acor(dada)

 Foi na cor da tarde que desisti dos meus sonhos.

 Foi no afeto das mentiras que gerei o medo.

 Foi na remota sensação da bon(dade) que eu vendi a minha alma.

Eu perdi tudo, absolutamente tudo para ganhar o nada, a solidão.

A cor foi dada.

O amor foi dado.

A minha vida foi dada e anulada.

Mas minha lira não, esta não tem acordo, já vivo acor(dada) para todas as perdas.







domingo, 19 de junho de 2022

O abismo e o precipício

Por quanto tempo deixei o verso?

Por quanto tempo esqueci de mim?

Sim, as palavras guardei da alma.

Mas o abismo é profundo demais para quem fica em silêncio, e eu fiquei...

Em silêncio, no esquecimento, deixada de lado.

Até a porta da minha casa fechei.

Mas agora eu quero a senha, a chave

O pó da lira que a mal(ternidade) tirou de mim. 




domingo, 27 de dezembro de 2015

Mar(ata)

O mar não era mar
O céu não era céu
As pedras eram adornos
A água refresco do tempo.

Saudoso esforço de molhar frias mãos
Memória viva de ser menina, pés molhados
Fina areia entre plantas e gotas cristalinas
Véu de sonhos
O céu não era céu
O mar era Maratá: casta de luz.




Bolsai de estrada

Era tarde, mas nunca distante
Era imagem, mas nunca ilusão
Ele estava ali
Eu estava lá
 
Era sol, mas nunca nuvem
Era dia, mas nunca passagem
Ele estava só
Eu também
 
Foi um encontro
Foi um encanto
Mais um poema no bolso
Mais novas palavras
E um bolsai no pasto.
Eu estava indo
Ele ficará lá

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Re(volta) da vida

A vida tem vindas
A volta tem ilusões
A vida tem amores
A volta tem tristezas
A vida tem alegrias
A volta tem idas
 
Tudo e nada, dançam em vida
Nada e tudo, cantam em volta
Aprisionada plantei a perfeição
Apaixonada enganei a multidão
 
 
A Vida tem encantos 
A volta tem enganos
A vida tem de tudo
A volta tem de nada
A vida com amor
A volta com rancor
Tudo com nada será tudo ou nada?
Tudo com amor, será amor ou rancor?
Viver em paz é a melhor certeza do que o amor estará ao seu lado

 
Mais uma vez, minha gratidão por suas palavras Gleicy Faria, outro poema com sua preciosa parceria.

 

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Uma mulher sem barreira(s)


Esbarra o sol para nascer o dia
Esbarra a vida para nascer o amor
Esbarra
Esbarra
Esbarra em sombras, em calor, em frio


E todo barro
E toda birra
e toda borra
Era um a espera, uma esperança
o marido tão ido ao trabalho
os filhos tão ao mundo
a casa tão florida ao barro



Eis que o tempo também esbarrou
Era forma
Era força
Era família
E todo barro era peça
E todo barro era parte
E todo barro era pessoa
Esbarra sempre
Esbarra a tempestade
Esbarra a terra
Esbarra a ternura


Sua vida era esbarrar
Seu ofício era moldar o barro
Seu coração era barrado em rosas


E ela esbarrou em mim,
toquei e comprei seu barro
E ela esbarrou em mim,
toquei e virei sua história
E até hoje ela esbarra
E do seu barro brilhante
nascem imagens
nascem palavras, e a mais bela: AMIZADE.

Uma homenagem para amiga especial: Lurdinha, artesã da Colônia de Uva - Cidade de Goiás